quinta-feira, 31 de maio de 2012

Soneto da Saudade nº II

Cheia de ti fica minha mente quando desperta.
Ou talvez nem se tenha esvaziado pois estava
Pensando em você no momento em que me deitava.
Hora noturna em que a saudade mais aperta.

Aperta sim, mas como um abraço amigo
De quem tem de ir, mas deseja um instante
A mais, pelo menos (Jamais o bastante!)
Pra ficar. Permanecer e ser contigo.

E embora esse abraço não seja grilhão,
Mordaça, forca ou corrente de qualquer espécie
Não é incomum que se pene em respirar.

Pois longe do chão não raramente acontece
De ter pouquíssimo, um rarefeito ar
E sem ar é difícil ter inspiração.


31/05/2012 - M²

terça-feira, 29 de maio de 2012

Antítese Spenseriana

Talvez, então, não seja eu um poeta
Pequeno que sou, nada tenho de vós
Só a vontade de escrever que me afeta.
Não sei desatar das palavras os nós,
Pequeno que sou, em mim só tenho a voz...
O anseio em ser ouvido.... minimamente,
Sou só vontade de conhecer a nós.
E as linhas que escrevo... um incompetente!
Pequeno que sou, o sou enormemente,
Mesmo assim, incapaz de construir
Em versos as palavras da minha mente.
Pequeno que sou, não as forço sair
De mim, pois basta vê-las livre, poéticas
E não limitadas aos arcabouços da Estética!


29/05/2012 - M²

quinta-feira, 26 de abril de 2012

"Bu!"


Me parece que, no final, estavas com a razão
Imagine que eu
Numa hora qualquer de divagação
Haveria de me dar conta que estava
Assustado
Mergulhado num cinza cada vez mais avermelhado
Eu me encontrei já sem defesas, estaticamente... cativado.
Num singelo monossílabo
Induzido fui a sorrisos sem sentido
Na lembrança da tua voz falando do susto que eu
Ainda não tinha percebido
Nunca antes passei por tal sensação
Igual a de fazer uma tatuagem que
Não manchou minha pele, mas que marcou
A minha mente... e o meu coração.


01/04/2012 – M²

Retórico-romanstismo


Para que meu romantismo não se limite a rosas
Luto. Aprisiono esse meu sentimento em versos
Como fizeram antes de mim, amantes perversos,
Desfaço aqui as últimas linhas desta minha prosa

Mas como o amor as estrofes acompanha
E de amor, como se vê, estou repleto
Deixo pra você este soneto incompleto
Que seja ele, então, a minha última artimanha

Não porque eu não consiga os versos elaborar
Ou porque a tua imagem simplesmente me expulse
Toda e qualquer palavra que não seja testamento

Disso que dentro de mim repercute
Mas sim porque meu único pensamento
É o de não deixar essa estrofe acabar.

17/04/2012 - M²

terça-feira, 24 de abril de 2012

Tempestade de cérebro... e coração.


Deixa estar...
Talvez eu prefira assim
Que ninguém tenha te achado antes
Durante a longa noite que ocorreu
E essas gotas de orvalho no teu rosto
Oh, minha pequena Rosa Escarlate
Eu as enxugo
No meu abraço, no meu afago e sussurro
Aquelas nossas palavras
Nos teus ouvidos
Só pra ver de novo nos teus lábios
Aquele sorriso mudo
Que tanto me agrada
Soando mais alto que qualquer música
Alucina
E de tanto reverberar no meu interior
E me priva de tudo que há de ruim em mim
E deixa pra trás apenas
O que é
Exageradamente
Bom
E me faz gostar de tudo que sou eu
Porque a noite foi longa
Oh, minha pequena Rosa Escarlate
Mas esta manhã tem o mérito e o anseio....
De querer ser pra sempre
Desde que haja outros tantos sorrisos teus
Mudos, musicais... alucinantes
Eu também então
Sorrirei.

24/04/2012 – M²

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O Quasissoneto


O triste de um soneto é saber estar sozinho
Que a culpa é minha e meu é o fardo
De não ter vivido nem mais um pouquinho
Desde meu último amor neste formato.

E já não bastasse reviver tais pesadelos
De minhas rimas precárias e métrica vagabunda
Nasce sempre um soneto deformado, meio corcunda
Por isso, também, parei de escrevê-los.

Mas como a ideia do Quasissoneto inda sobrevive
De que devo parar, ignoro os indícios
De quebra copio o amigo Vinícius
Com “Que eu possa me dizer do amor (que tive)”

Quando um dia o tiver
Quando em todos te ver.

terça-feira, 5 de julho de 2011

On the author

Eu sabia. Esse era o meu maior motivo de relutância quando cogitava criar ou não esse blog no qual escrevo agora. Eu não sei mais o que escrever, e no entanto, existe aquela pressão social para que eu escreva algo tão bom quanto ou melhor que o último texto.
Pressentindo que os textos que virão são mais.... "densos", por assim dizer, carregados de reflexões mais profundas e referências etimológicas (que cansarão o leitor mais "apressado"), resolvi fazer um texto mais leve pra preencher o tempo vazio entre o texto 1 e 2, que na verdade será o 3.
Mas o que eu poderia ter de interessante e "leve" pra compartilhar? 
Eu sou feio. Gordo. Socialmente inerte. Irmão mais velho de três irmãos, mas hierarquicamente estou abaixo dos filhotinhos recém-nascidos da minha poodle. Eu toco baixo elétrico. Só tive uma namorada. E minha vida sexual é tão agitada quanto uma reunião de falantes de Esperanto (eu sei, isso é meio redundante já que eu disse que tocava baixo). Sou filho de militar. Já me mudei muitas vezes por causa disso. Deixei amigos. Fiz novos. Tenho poucos, mas os poucos que tenho são foda(digdin digdin?) Eu toco baixo. Sou filho da mãe. Mãe assistente social e capitalista. Sou pseudo-socialista. Também já fui filho do Pai, do Filho e do Espírito Santo, hoje, sou filho da puta. Eu já acreditei no amor. Eu toco baixo. Eu já deixei de acreditar no amor. Eu voltei a acreditar no amor, não naquele amor platônico e suicida, e sim num amor construído, baseado na dedicação mútua, pois agora percebo que o amor foi feito pra ser motivo de alegria e não um fardo. Eu curso letras na faculdade e.... ah! Eu toco baixo. Eu gosto de ler, mas não leio tanto quanto gostaria. Eu quero ser professor, ajudar a formar pessoas melhores, mas secretamente tenho medo de não conseguir. Eu sou chamado de "inteligente" pelos que me rodeiam, mal sabem eles o quão insignificante Eu sou. Eu tento parecer seguro e "forte", mas por dentro eu sou tão estável quanto um barco em alto mar numa noite de tempestade. Eu sou homem. Eu sou menino. Eu escuto Fresno. Eu tenho uma banda e Eu toco baixo. Eu tenho medo de virar um velho ranzinza aos 20 anos de idade. Também tenho medo de ficar pensando nas consequências e não tomar nenhuma atitude, medo de ser inativo. Eu tenho medo de não saber quem sou nem o que tenho que fazer. Eu tenho medo de não pensar. Por isso eu fiz esse blog, pra ver se ele me ajuda a exercitar minha mente um mínimo que seja, e organizar mais certas ideias.
Em suma, eu sou uma pessoa confusa, mas ainda assim uma pessoa. Uma pessoa que pede desculpas pelo que devia ter sido um texto alegre e descontraído e acabou se transformando num frankenstein cyber literário. Uma pessoa que toca baixo =D